O FINCARFestival Internacional de Cinema de Realizadoras começa os preparativos para a sua segunda edição, que acontece este ano. Equipe (quase toda) formada, debates frutíferos, compartilhamentos, e todo um caminho pela frente que começa a ser trilhado para mais debates e ações. Desde 2016, várias perguntas continuam e outras surgem em nós, nos provocando. Entre tantas, por que continuar fazendo um festival de cinema de realizadoras? O que à primeira vista pode parecer uma dúvida, mais a fundo se revela uma necessidade de reflexão constante em conexão com a realidade social e política do presente.Num festival bienal como o nosso, o tempo, que poderia formar um vácuo, acaba atuando a nosso favor, nos trazendo e levando questões. Nos trouxe vivências como o #OcupeCineOlinda, uma ocupação de um cinema histórico na cidade de Olinda, há 51 anos fechado e há 32 anos em reformas por parte do poder público. O movimento social ativou momentaneamente um entre tantos dos nossos equipamentos culturais negligenciados pelo estado. No Cine Olinda de portas abertas, vivenciamos um projeto de cinema público e popular que acreditamos. E continuamos a nos perguntar: cinema de quem? Para quem? Com quem? A partir dessa vivência, percebemos que o FINCAR, nesta segunda edição, deve continuar aprofundando sua diretriz de buscar outras formas de se relacionar com a cidade. Se na primeira edição ocupamos o Cinema São Luis e investimos no Circuito Cineclubista FINCAR-FEPEC para uma descentralização das exibições, queremos este ano dar mais um passo nessa direção construindo também parcerias com outros cinemas públicos da Região Metropolitana do Recife.

Nesse mesmo intervalo de tempo, ocorreu o golpe contra a primeira presidenta desse país. Muitos homens brancos ao redor de uma mesa tomando posse de algo que não lhes cabe. Golpe. Golpes. Estejamos atentxs aos tantos golpes (históricos e atuais) que formam a estrutura opressora desse país. Um conservadorismo raivoso sempre esteve presente (talvez apenas para alguns de nós), mas agora nos mostra os dentes com orgulho novamente. E o que construímos então? O que partilhamos entre nós, entendendo a potência das nossas diferenças? Essas perguntas ecoam dentro da equipe do festival esse ano e reverberam nas nossas propostas e ações que serão divulgadas mais à frente.

E o que mais poderia ser o FINCAR se não um espaço de partilha e formação (inclusive para sua equipe)? Todo espaço que se deseja ser de intervenção política  deve ser um lugar sobretudo de formação. E é nesse lugar que queremos construir nosso debate estético-político, disputar narrativas, nos fortalecer. E nada disso  é diferente de dizer que fazemos um festival de cinema. Apenas explicita nossa tomada de posição diante do cinema, diante da imagem, diante das pessoas que realizam e do público.

Continuamos sendo um espaço em construção. E desejamos sempre ser. Sempre em movimento, sempre permeáveis, em transformação. As portas estão abertas para quem quiser somar! A identidade visual desta edição, feita pela artista Bia Rodrigues (BIARRITZZZ), nos traz a força de fincar o pé no chão e ao mesmo tempo levitar. Existe muito chão para correr e muitos pensamentos para compartilhar!

Equipe FINCAR

 

FINCAR – International Women Filmmakers Festival begins preparations for its second edition, which takes place this year. Crew (almost) formed, fruitful debates, shares, and a whole path ahead of us that begins to be taken for more debates and actions. Since 2016, several questions remain and others arise in us, provoking us. Among so many, why continue to make a festival of women filmmakers? What may at first appear to be a doubt, more profoundly reveals a need for constant reflection in connection with the present and its social and political reality.

In a biennial festival like ours, time, which could form a vacuum, ends up acting in our favor, bringing and taking questions. It brought us experiences like #OcupeCineOlinda, an occupation of a historical cinema in the city of Olinda, closed 51 years ago and for 32 years in reforms by the public sector. The social movement momentarily activated one among so many of our state-neglected cultural facilities. At Cine Olinda with open doors, we lived a public and popular cinema project that we believe. And we continue to ask ourselves: whose cinema? For whom? With whom? From this experience, we realize that FINCAR, in this second edition, must continue to deepen its guideline to find other ways to relate to the city. If in the first edition we occupied São Luis Cinema and invested in the FINCAR-FEPEC Film Clubs Circuit for a decentralisation of the exhibitions, this year we want to take another step in this direction by also building partnerships with other public cinemas in the Metropolitan Region of Recife.

At that same time, the coup against the first woman president of the Brazil occurred. Many white men around a table taking possession of something that does not fit them. Coup. Coups. Let us be aware to the many coups (historical and current) that form the oppressive structure of this country. Raging conservatism has always been present (perhaps only for some of us), but now it shows us its teeth with pride again. And what do we build then? What do we share among ourselves, understanding the power of our differences? These questions resonate within the festival crew this year and reverberate in our proposals and actions that will be announced further on.

And what else could FINCAR be if not a space of sharing and formation (including for your crew)? Every space that one wishes to be a political intervention must be a place of formation. And it is in this place that we want to build our aesthetic-political debate, to dispute narratives, to strengthen us. And none of this is different from saying that we make a film festival. It only makes explicit our position towards cinema, towards the image, towards the people who perform cinema and the public.

We remain a space in construction. And we always want to be in construction. Always moving, always permeable, in transformation. The doors are open for anyone who wants to take part in this construction! The visual identity of this edition, made by the artist Bia Rodrigues (BIARRITZZZ), brings us the strength to fix our feet on the ground and at the same time levitate. There is plenty of ground to run and lots of thoughts to share!

FINCAR crew